A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA - poesia - 74 páginas

Luiz Otávio Oliani

LUIZ OTÁVIO OLIANI nasceu no Rio de Janeiro e é graduado em Letras e Direito. Como poeta, está em 120 livros coletivos nacionais e alguns estrangeiros, além de 500 publicações entre jornais, revistas e alternativos. Tem poemas publicados e vertidos para o inglês, francês, italiano, espanhol, holandês, alemão e chinês, bem como textos ilustrados em projetos ligados às artes plásticas. É membro da APPERJ (Associação Profissional de Poetas do Estado do Rio de Janeiro). Recebeu 70 prêmios, dentre os quais se destacam: Moção de Louvor e Reconhecimento da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (2011); o Troféu Honra ao Mérito do Clube em Revista, como Poeta destaque de 2012, na Rádio Bandeirantes, Rio, AM, 1360 (2013); Troféu Francisco Igreja no Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro (2014); Menção Honrosa, Prêmio Vicente de Carvalho, concedida pela UBE / RJ (2014) ao livro dos entre-textos; eleito também como “O Melhor livro do ano” pelo Clube de Trovadores Capixabas, no Espírito Santo, no mesmo ano. Em 2011, foi citado como poeta contemporâneo por Carlos Nejar no livro “História da literatura brasileira: da Carta de Caminha aos contemporâneos”, SP, Leya. Publicou sete livros de poesia: "Fora de órbita", 2007; "Espiral", 2009, "A eternidade dos dias", 2012; “Luiz Otávio Oliani entre-textos”, 2013; “Luiz Otávio Oliani entre-textos 2”, 2015; “Luiz Otávio Oliani entre-textos 3”, 2015 e “A vertigem das horas”, 2016.

Lançamento dia 11 de abril, no evento literário Poeta saia da Gaveta, na Casa do Bacalhau, Rua Dias da Cruz, 426, Méier, Rio/RJ.

Poesia e artes plásticas há muito se interconectam: Ferreira Gullar, que acaba de falecer, deixou uma coletânea de textos reunindo seus artigos publicados na imprensa sobre o assunto; João Cabral de Melo Neto escreveu um belo ensaio sobre Miró. No entanto, muitos autores resistem em reverenciar Dalí por suas convicções políticas (o próprio João Cabral, inclusive). Porém é ainda o grande poeta pernambucano quem o acha genial e acrescenta: “Não é porque (...) eu não estou de acordo com a admiração dele pelo general [e ditador espanhol Francisco] Franco, eu vou fechar minha sensibilidade à pintura de Salvador Dalí? Não. (...) A sensibilidade é tanto mais rica quanto mais ampla ela for”.
            Luiz Otávio Oliani homenageia publicamente a obra do pintor espanhol neste livro, a partir do próprio título, homônimo de um dos quadros (óleo sobre tela) mais célebres de Dalí: “A persistência da memória”, com seus relógios disformes, derretidos e insetos em cima deles – simbolizando a putrefação/decomposição do tempo cronológico ante a grandiosidade interior atemporal do ser. Diante da pintura, em 1931, exclamou impressionada Gala, que foi esposa do pintor: “ninguém pode esquecê-la uma vez vista”.
            Ninguém, especialmente se for um poeta. Ao basear-se neste tempo-espaço filosófico, transcendental, Oliani esvazia a urgência de um ritmo de vida inadiável, apressado e imediatista, propondo uma importante reflexão sobre o nosso tempo, presenciado por uma sociedade sôfrega, inquieta, ansiosa, estressada, frenética, cujo carpe diem parece insistir em querer apagar as bases culturais sobre as quais ela foi construída. Porém, ao final, o autor deixa uma pergunta no ar: e sem a memória... “o que fica? O que fica?”.

Leila Míccolis
Mestra, Doutora e com Pós-Doutorado em Letras/Teoria Literária (UFRJ), escritora de livros, TV, teatro e cinema

                                    A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA

Luiz Otávio Oliani

                                                    A Salvador Dalí

                                    nada nos pertence:
                                    a vida é empréstimo

                                    Deus não cobra
                                    juros dividendos
                                    o homem
                                    acerta contas
                                    consigo mesmo

                                    nesse juízo
                                    de altos preços
                                    sobra apenas
                                    o legado
                                    com que se sonha

                                    e, se tudo rui
                                    no desmoronar do corpo,
                                    o que ficará?

                                    num canto da casa
                                    o escritório
                                    a biblioteca
                                    o livro de poemas

 

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