MARY COLUMBUS - poesia, 106 páginas



Sérgio Gerônimo

É carioca. Editor-chefe da OFICINA, poeta em tempo integral. Doze livros de poesia publicados, sendo seu mais recente sucesso Mary Columbus - poesia crônica de um romance contado, puro folhetim teatral (lançado na XVII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro/2015). No prelo: nA pontA dos cAscos. Tem verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira, vol. 1, da Oficina Literária Afrânio Coutinho (2001). É, também, conferencista, ensaísta e cronista. Atual Presidente da Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro; Diretor da Academia Brasileira de Poesia, Membro efetivo da União Brasileira de Escritores (RJ), do PEN Clube do Brasil. Coordena os eventos poéticos: Te Encontro na APPERJ; Saraupoesia, li na livraria e o Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro. Participou da “I Noite de Gala da Poesia Contemporânea”, na UFS / Campus Itabaiana, com sua obra poética sendo estudada pelos alunos de Letras. Integrante do Urbanosemcausa, performance multimídia de poesia, com apresentações em várias cidades do Brasil, em Nova York (Estados Unidos da América) e Viena (Áustria).

LANÇAMENTO DIA 23 DE MAIO DE 2016, a partir das 19:30h, no Bar do Ernesto, Largo da Lapa, 41, Lapa, Rio de Janeiro/RJ.

foi pra lapa
sergiogeronimo
toda espetacular no brilho
com cara de bumbum de neném
arremessou as pernas porta afora
deixando os pneus assobiando pros demais táxis
quando, então, os arcos abriram-se em frestas
festa da satisfação boêmia em bondes quase aéreos
reverenciou cecília à direita
sinal da cruz à esquerda
puxou o elástico do rego
ignorou todo o vocabulário momentâneo
do esculacho e...
nossa!
arrasei, tô dimais
a voz do povo é a voz... da putaria
pelamordedeus
arg!
rápido invadiu o boteco-pé-sujo
espantou moscas e cachorro magro
sapateando com carinha de aborrecida
e com vozinha de adolescente pré-menstrual
pediu uns croquetes de linguiça com caldecana
mas hipnotizou-se com o ovo cozido alaranjado
avantajado que estimulava as suas papilas
a papá-lo dentro do pote de vidro ̶ boca larga
sorrindo sussurrando

me coma
e foi quando chupou a ponta dos dedos
de molho de pimenta
pimenta das boas da garrafa suada
de beira de balcão azedo
que gritou pro garçon: pendura a conta, viu
pago mais tarde
e... cê sabe como, né!
no batente da calçada
meio-fio meio mijado
reforçou o batom
guardanapo nos dentes contra o excesso
sobrancelhas no risco centradas
joelhos gargalhando ao mundo
agenda agradavelmente estrangeira
dólares e euros
mas, olha aí...
sou real, nacionalista, tá!

Salve, salve, Sérgio Gerônimo. Como me pede uma opinião sobre seu Mary Columbus, devo de imediato lhe dizer do meu espanto com seu livro. Espanto pela originalidade e pelo passeio implacável dentro da alma carioca. Essa, a alma do Rio, é o que me comove acima de quaisquer outros sentimentos... Você mergulhou dentro de uma realidade que me acompanha por décadas a fio. Gostei de sua ousadia, apreciei sua insolência, me deliciei com suas buscas por veredas insuspeitadas. O Marlenes e Emilinhas, em especial, fez quase arrancar de mim sóbrio soluço... Talvez você não saiba, mas ambas me foram muito próximas, queridas e amaciantes... Ao longo de muito, muito tempo. Também gostei do esboço geral dos poemas, uno e quase indivisível em sua anatomia. Mais não digo, que me falta tempo para ler e reler. Fique certo que me desvaneceu sua sugestão de entregar a este carioca juramentado o fôlego e a paixão do seu trabalho, antes de ser publicado. Abraços um tanto constrangidos por minha curta e insuficiente consideração...

Ricardo Cravo Albin
por e-mail em quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 18:20

quarta-capa do livro

Gente Fina
Para conhecer Mary Columbus é preciso antes ter uma ideia de onde ela surgiu. Pensemos que é com o conhecimento das origens, que nos permite entender de que pessoa falamos. Quando a vida é poesia, nossa discussão sobre Mary torna-se uma bela crônica. Na verdade, como todos sabem, sabemos e não sabemos quem é Mary. Mary é o nosso mistério travestido de arrojada e impetuosa alma. Ela é bairrista. A magnífica que trafega pelas ruas saudosas de um recente passado. Ela é intensa. Seu bairro flameja quando a vê passar. O povo reivindica o seu belo sorriso, os seus altos tamancos, o seu requebrado balangado, revelando a autenticidade do lado obscuro e sedicioso contra a autoridade local. Mary. Ah! Mary. O seu discurso assume a forma de um tratado antropológico, apresentando-se e ocultando-se simultaneamente. Existe o anacronismo temporal que garante as verdades episódicas de sua natureza efusiva. Sérgio Gerônimo, autor revelador, cáustico, desenha a personagem Mary com pincéis ágeis de um pintor que sabe o que fará com sua obra. Tem requinte nos detalhes e precisão no resgate de imagens autênticas. Mary surge de um mundo poético. Dela temos notícias de cada um de nós, dos nossos segredos, das nossas pequenas histórias não reveladas. A caneta do autor dialoga criativamente nas hilariantes lembranças e consciências, das quais a vida se transforma e gera a peculiar originalidade do novo: o pós-moderno. O poeta atualiza a ficção e a poesia em uma descompromissada prosa poética.
Voilá, Mary Columbus!
Bem-vinda!
É um prazer conhecê-la.
Mozart Carvalho
poeta, em uma das abas do livro


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