EMOÇÃO ATLÂNTICA - poesia (116 páginas)

Lançamento dia 26 de julho, a partir das19h, na Casa de Cultura Laura Alvim, Av. Vieira Souto, Ipanema, Rio/RJ.

TARDES HEDONISTAS

Tomo de um trago a efusão visual.
Dois dias de chuva e o azul reverberou.
Abriu-se geomântico, desvendando o prodigioso colosso.
Diamantina fornalha, o azul insondável!
Não me falem dos flagelos da cidade.
Só tenho ouvidos para essa degustação.
Celebro sofregamente as soluções.
Nada me consterna fora da minha obsessão.
Não me falem de violência.
Eu sou a personificação da paz.
Bebo o vinho da vida,
adivinho-me e me divinizo.
Alto é o propósito
e, com reverência, me aproximo da água.
O oceano simboliza o meu ideal.
Natureza,
tu que fecundas a vida em toda parte,
dá-me a tua bênção.
Faze de mim um dos que receberam a auréola dos astros!


Na proa do dia, navego em amplitude.
Mais que a pedra do tempo, busco a fluidez.
Eu que vejo mistério em tudo.
Eu que me alumbro de esperança.
Eu que fico perplexo,
mirando o navio espacial,
não encontro arrimo em nada,
exceto nessa expansão volátil.
Eu que me comovo diante das coisas aéreas,
e que invento castelos inexistentes,
vejo no poente a alma da natureza.
Na púrpura dourada de hidrogênio,
como na sombra das areias,
escuto a flauta do vento e a percussão das águas.
Nunca vi o mar assim,
tão encantado de murmúrios de espuma!

Márcio Catunda

 

4ª capa

Com este Emoção Atlântica Márcio alarga os limites de seu território lírico e chanta-lhe um novo padrão. Os pequenos reparos que me atrevi a fazer a uma parte da produção reunida em Purificações, se naquele enfoque tinham algum sentido, de lá para cá vão perdendo lugar. O poeta, quando quer, pode até assumir, aqui e ali, o tom da prosa, sem deixar que a pena descaia. E os poemas metrificados, duas brevíssimas exceções no presente livro, de nenhum modo lhe prejudicam a integridade.

Emoção Atlântica é um cântico ao Rio de Janeiro. Rio de sensualidade e beleza, a que se agrega Niterói, como se fossem (e não o são, de certo modo?) uma cidade só, separadas-unidas pela Baía de Guanabara. Com seus encantos, mas também com seus bandidos e suas mazelas. Pois, apesar dos extremos de esplendor e miséria, a cidade é ainda paradisíaca.

Mas não se trata apenas de uma celebração do Rio de Janeiro; o poeta canta, ao mesmo tempo, a vida e uma filosofia de vida:

Desfrutar o instante é um valor permanente.

É fluir absorto, sem perceber o peso da vida.

Suas loas representam um convite à contemplação, aos pés do mar de Copacabana:

Perto da natureza, o homem fica menos feroz.

Um cântico à alegria de viver.

ANDERSON BRAGA HORTA

 

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